Relato esporádico: Utilitarismo – I

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Penso que a melhor forma de se ensinar filosofia seja através de seus problemas. Mais que isso, de tornar os problemas da tradição problemas também dos alunos. Por isso, comecei a aula sobre o Utilitarismo (já havia trabalhado o relativismo cultural e o subjetivismo) através de um problema clássico: o dilema do trem.

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El País, Will Langenberg

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Fome, afluência e moralidade

Card Filosofia

Enquanto escrevo, em novembro de 1971, pessoas estão morrendo em Bengala Oriental por falta de comida, abrigo e cuidados médicos. O sofrimento e a morte que estão agora ocorrendo lá não são inevitáveis, não no sentido fatalista do termo. Pobreza constante, um ciclone e uma guerra civil transformaram pelo menos nove milhões de pessoas em refugiados despossuídos. Todavia, não está além da capacidade das nações mais ricas prestar assistência suficiente para reduzir qualquer sofrimento adicional a proporções bem pequenas. As decisões e ações dos seres humanos podem evitar esse tipo de sofrimento.

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Foto disponível em O Globo: https://goo.gl/BTU1bJ

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Notas sobre neurociência da aprendizagem e ensino de filosofia

Card Ensino

Nota preliminar: este mini-artigo foi escrito como trabalho final da disciplina A neurociência da aprendizagem e o desenvolvimento de habilidades no ensino fundamental, do curso de Especialização em Ensino de Filosofia, da UFPel.

Procurando explicar por que estudantes de diferentes países, mas de sistema de ensino semelhantes, possuem um rendimento educacional distinto, me ocorrem duas hipóteses de resposta. Continuar lendo

Exílio e absurdo

“Um mundo que se pode explicar, mesmo com raciocínios errôneos, é um mundo familiar. Mas num universo repentinamente privado de ilusões e de luzes, pelo contrário, o homem se sente um estrangeiro. É um exílio sem solução, porque está privado das lembranças de uma pátria perdida ou da esperança de uma terra prometida. Esse divórcio entre o homem e sua vida, o ator e seu cenário é propriamente o sentimento de absurdo.”

– Albert Camus, O mito de Sísifo, p. 20. Rio de Janeiro: Record, 2008.

Nota didática: a indução e o problema

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Ao contrário do ano passado, no qual trabalhei diretamente com o problema da indução de Hume em uma aula, esse ano resolvi aceitar o desafio de ministrar uma aula sobre Francis Bacon, sobre quem tinha pouco conhecimento. A aula girou em torno do que reconheci como suas principais contribuições: a teoria dos ídolos e a defesa do método indutivo. É sobre o método indutivo que pretendo falar. Continuar lendo

Divulgação de filosofia

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Sempre me perguntei se não deveria, aqui no blog, escrever mais textos sobre filosofia. Normalmente eles se restringem aos relatos de aula ou às citações. Mas pensava em algo como uma espécie de divulgação de filosofia. Por outro lado, nunca me senti seguro o suficiente para fazer isso.

Recentemente, Fran, que além de ser minha namorada é fundadora da Gravurando, uma marca de encadernação artesanal, me convidou para escrever para seu blog textos desse tipo, tanto de filosofia quanto de literatura. Novamente, titubeei. Não bastaria escrever sobre filosofia, escreveria ainda sobre literatura? Continuar lendo